A Música.
A música é tudo que restou de mim.
Cada nota é suspiro meu. Cada desalinho é lágrima.
Aquele lindo pentagrama, que você percorreu com tanta fúria e tanto desejo e que fez acordes tão lindos, não passa do meu corpo.
Eu sou o que você tanto cria, os sons que a tua voz emite em conjunto com os tons fulgurantes do teu violão.
A música é uma lembrança.
A tua lembrança de mim, o que me faz música.
E você me ouve na melancolia de cada canção, na tristeza do teu violão, na ilusão de me ter entre os teus dedos, como aquela idéia ingrata que aparece uma vez na vida e que poderia transformar-se na maior das melodias.
Ser música é como desejar ser eterno e eterno ser, como uma serenata cujo cantor esqueceu a melodia. Melhor ainda, é pedir por felicidade e lembrar do coração partido – indeciso, na verdade, porque não sabe se empolga-se com a melodia ou se chora com ela.